terça-feira, 7 de setembro de 2010

Subi ao Pico

Pois, diz que já subi ao Pico.

Depois ponho fotos. Estou exausta.................................

domingo, 29 de agosto de 2010

Pézinho do Pico




Pézinho do pico

Letra e música: popular: Açores


Eu fui ao Pico, piquei-me,

Ai sim piquei-me, piquei-me lá num silvado. [Bis]

Nunca mais eu vou ao Pico,

Ai sem o Pico, sem o Pico ser podado. [Bis]

Eu fui ao Pico, piquei-me,
Ai sim piquei-me, piquei-me lá num picão.
O pico nasce da silva,
Nasce da silva e a silva nasce do chão.
Ó meu amor nada, nada,
Ó meu amor nada, nada, nada não.
Nada trago em meu peito,
Ai em meu peito, de que te faça quinhão.

Ponha aqui o seu pézinho,
Ai ponha aqui, ponha aqui, que não faz mal.
Que esta moda do pézinho,
Ai foi do Pico, foi do Pico pr´ó Faial.

Fernando Faria ((Pico))

sábado, 21 de agosto de 2010

Almoço debaixo da parreira e jantar no bosque de criptomérias

Ontem ia almoçar ao Ritinha como habitualmente. Como estava um sol abrasador, em vez de ir até lá pela rua marginal, como de costume, decidi ir por uma rua de dentro, mais sombria, e que é a rua principal das Lajes. É onde está a maior parte do comércio e serviços da vila. Dessa artéria(!) principal, para chegar ao Ritinha tenho que cortar por uma outra rua, que por acaso é onde vivi inicialmente quando vim para as Lajes. Ou seja, conheço mais ou menos as pessoas ali vivem. Então, quando ia a passar pela horta/terraço/sala de estar exterior do Sr. José e da Srª. Maria (os senhores que organizam a festa do São João), chamaram-me e perguntaram-me onde é que eu ia "com tanta pressa". Quando eu disse que ia almoçar, oh! fui logo desviada do meu caminho. "Vem mas é pr'áqui e junta-te à gente!". E pronto, acabei por almoçar uma saladinha de peixe impecável, acompanhada com o óptimo pão de milho cá da terra, e regada com vinho verde, primeiro, e sangria depois (e que sangria!). E que bem que se estava no fresquinho, na sombra da parreira carregadinha de uvas. Para finalizar, um digestivo, de denominação desconhecida - o Sr. José é muito cioso dos seus segredos - mas penso que era um licor de amora.

Nesse almoço inopinado estava também um casalinho jovem. Ele, cá do Pico e a servir de cicerone, a ela, uma jovem fotógrafa espanhola, à procura de ir ver baleias e golfinhos em troca dos serviços fotográficos; e pronto, lá se deu azo para o estabelecimento do chamado networking. Trouxe o currículo da rapariga para entregar ao patrão e pronto.

À tarde, já de volta à loja, chega o gerente da operação de whale watching aqui no Pico (e dono da loja,) com alguns anéis que tinha feito em dente de cachalote para pôr à venda. Mas antes de irem para a montra tive direito a escolher um para mim. Prenda de amenização? Talvez. Recusar estava fora de questão, portanto.

As surpresas do dia ainda não tinham acabado, porque em cima das 18h (hora de fecho da loja) pára o Lídio, skipper, mecânico e pau-para-toda-a-obra da AquaAçores (a concorrência, portanto) à frente da loja a perguntar porque é que eu não estava no Bodo de Leite. Ora, o Bodo de Leite, pelo que consegui apurar, é uma reunião para a qual os produtores de leite levam as suas vacas leiteiras e respectivos bezerros. É feita a ordenha das vacas, toda a gente bebe leite e partilha de um bolo que se faz especialmente para a ocasião. Há uma missa, provavelmente para abençoar a vacaria toda, e há também um concurso de animais. Portanto, mais uma desculpa para as pessoas se reunirem e conviverem. Depois do lado mais pecuário estar terminado, as famílias continuam por ali durante a tarde e noite e vai-se juntando cada vez mais gente. Cada grupo traz o seu farnel - e que farnéis! - e à boa moda portuguesa monta-se o estaminé completo, com fogão, mesas, cadeiras de praia, bancos improvisados com troncos cortados e almofadas, mantas no chão, enfim, todos os confortos.

Conclusão, acabei por arrumar as minhas coisas à pressa na loja, agarrei só na carteira a tiracolo e, ala!, para o Bodo de Leite. Se já estava a adivinhar que devia ser uma festa muito engraçada e com pena de não ir, não me enganei. Foi das festas mais giras em que estive aqui, a par do São João da minha antiga rua. Ambas respiravam um ar de espontaneadade que lhes dá uma graça especial. O Bodo de Leite em particular ainda preserva o cariz altamente rural e ainda guarda um saborzinho do antigamente. A festa é feita no meio de um bosque de criptomérias muito verde e fresco. Ontem estava-se maravilhosamente bem por lá, depois do calor das Lajes. No pequeno palco montado junto ao caminho, estavam a tocar chamarritas quando cheguei. A chamarrita é a música, e a dança, tradicional do Pico. E havia quem dançasse, mas não era nunhum grupo organizado de folclore. Não, era um bailarico e dançavam-se chamrritas. Foi muito giro de ver. Partilhei da comida e bebida de uma família amiga do Lídio, encontrei-me com gente conhecida das Lajes. Vi um espectáculo de hipnotismo feito por um talento local, que conseguiu pôr homens crescidos a fazer figuras tristes, para diversão de quem via. Para encerrar a festa em grande, Quinzinho de Portugal. Em grande!

Foi um daqueles dias em que fiquei a pensar, está bem, isto é o karma a pôr as contas em dia.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Há dias assim

Sim parece que voltei para mais umas publicações.

O dia-a-dia tem sido pouco conducente a revelações entusiasmantes. Para ventilar estados de alma menos positivos talvez este fosse o meio ideal, mas arriscava-me a que toda a gente ficasse com a impressão que a experiência está a ser má ou que estou num estado de tristeza de gravidade ainda por determinar. Ora, como isso não corresponde à verdade, tenho preferido manter-me metaforicamente calada.

Dito isto, os dias por cá têm sido de altos e baixos. Há momentos giros e divertidos de convivência com as gentes cá da terra. Geralmente à hora de almoço, no Ritinha, quando tudo se reúne para almoço. É a altura em que ouço as histórias do tempo da baleação, das fortes pescarias, de quem tem as melhores vacas e como é que se cultiva melhor a batata ou o milho e, claro (talvez inevitavelmente porque estamos em terra de pescadores?), as bazófias inchadas e discussões acerca de quem viu mais animais no mar, ou das noitadas de bebida, conquistas e porrada.

Também há horas mortas. Muito mortas. De atrofio. Com o rádio a tocar Tony Braxton a cantar "Unbrake my heart", como neste momento - de bater com a cabeça nas paredes, portanto. Ainda por cima está a chover. Cum catano! O barco está avariado - sim, eu sei, esta história parece familiar... Tenho que ir à bruxa, para ver se tenho algum chacra desalinhado ou qualquer coisa do género...

A festas não tenho ido ultimamente. Os meus pais estão por cá, por isso tenho andado mais caseira. Mas hei-de me vingar na Semana dos Baleeiros, que é aqui nas Lajes. Ai se me vingo!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Portugal no seu melhor

Digam lá se não é um momento bonito e profundo: a rádio transmite esse monumento, essa obra-prima, da música pimba que é Apitadelas (percebem o "trocadalho", hã, hã?) e vai a música a meio, quando se ouve a voz dos locutores - "E agora o pensamento do dia", diz ele. Responde ela "Deixo-vos com o pensamento do dia para hoje: 'Albarda-se o burro à vontade do dono.'" E segue a música,"elas dão apitadelas, apitadelas, apitadelas".

domingo, 25 de julho de 2010

Azul ao longe

O mar está calmo. Chão. Um consolo. No céu há umas poucas nuvens desgarradas. Sopra uma brizinha que alivia o calor do sol.

O mar não está longe, fica a uns meros 50 m daqui, mas a sensação que tenho é que aquele horizonte tangível até podia estar a milhas de distância, tal é a impossibilidade de lhe chegar. Claro que estou a ser dramática e até poderei estar a exagerar, mas é a sensação que tenho hoje, aqui sentada à porta da loja. Acabou por ser bom só ter internet de jeito na rua, é da forma que posso ver a luz do dia e o mar e as poucas pessoas que passam na rua. Enfim, ver algum movimento.

Estou-me a rir sozinha agora. Vi duas senhoras a passarem de bicicleta em frente à loja. A rua é calcetada, por isso todas elas tremelicavam enquanto pedalavam neste pedaço de estrada. Veio-me logo à cabeça a banda sonora apropriada - fat bottomed girls you make the rockinn' world go round.

Passam alguns vizinhos afáveis, alguns turistas pouco interessados e ainda menos gastadores e assim se passa uma manhã de domingo. Tenho que começar a praticar alguma forma de meditação para ver se consigo esquecer-me de vez das terrenas turras e birras que andam no ar. Este é um comentário pouco apropriado para pôr aqui, já se sabe, mas tem que se dar algum escape a pressão acumulada, seja ela de que natureza for. Senão pode rebentar a panela.

Desconversando, já vi mais algumas espécies novas (para mim, pelo menos). Golfinhos-pintados - são mesmo giros o raio dos bichos, brincalhões que se fartam - e baleias-bico-de-garrafa - que são o oposto, normalmente, tímidas e fugidias. Também tivemos um avistamento de baleias-piloto muito bom no outro dia.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ponto da situação

Sim, eu sei, tenho andado desaparecida. Nem tem sido por excesso de trabalho, mas sim por preguiça. Parece que agora as coisas estão a animar aqui pelas Lajes. Já estamos a começar a ter saídas e vê-se mais turistas a passar nas ruas.

Dito isto, acho que está numa boa altura para fazer um ponto da situação.

O positivo.

As baleias-comuns, ter saídas em que se vê alguma coisa com certeza; ir para o mar chão com um vento ligeiro e o sol a brilhar, sentada na proa do barco, simplesmente a gozar o passeio. Gente simpática e interessada a querer saber mais e a partilhar experiências. A paisagem linda das ilhas. As casinhas bonitas das Lajes. O movimento da Horta. Aquela marina com ambiente cosmopolita e caseiro e acolhedor, tudo ao mesmo tempo. A Horta, onde gente de todo o lado faz a sua casa e acolhe quem vem de fora. A gente das Lajes, também muito acolhedora - os de cá, porque os de fora e que cá moram, nem tanto. O canto dos cagarros (estranhamente). Ir ao mar quando me apetece, porque está a dois passos de casa. Não haver areia. Ter tempo para ler e para aprender mais sobre os cetáceos. Confirmar que gosto mesmo de fazer isto.

O negativo

Os melindres e os ciúmes e os amuos em que praticamente toda a gente cai por aqui. A gabarolice. Haver crise e não haver clientes. Não ter internet de jeito. Não ter cinema ou rede de transportes públicos mais alargada. Não ter folgas para poder ir para a festa.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Estou-me a sentir perversa. Mas também, é preferível rir que ficar amuada.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Queijo, bolo e flamenco

Domingo, 4 de Julho. Mais um domingo, mais um dia sem saídas e pouco que fazer. Para compensar tive um final de dia ocupado. Começando às 18h, a seguir ao trabalho, um workshop sobre como fazer queijo do Pico. Ah, pois é. Queijo. Do Pico. Uma pessoa agarra-se à vida cultural a que consegue deitar as unhas.

Tudo muito bonito e tal, só que ainda não foi desta que aprendi a fazer queijo (do Pico). Cheguei lá antes das 18h, pronta para pôr mãos à obra, mas a organização ainda estava a ultimar uns pormenores. Tudo bem, pensei eu, tenho até às 19h antes de ir para a festa de anos dos gémeos (filhos de uma vizinha da ex-rua, que me tinha convidado), mesmo que não assista a tudo, vejo parte.

Esperei.

Esperei mais um bocado, eu e todos os outros que lá estavam. Alguns deles eram turistas alemães, que, previsivelmente, gozaram que se fartaram com a pontualidade portuguesa. Bem vistas as coisas, os senhores da queijaria até foram pontuais. Eles e o leite chegaram exactamente com uma hora de atraso. Não sei se as vacas fizeram greve, ou o que se passou, mas o certo é que o leite nunca mais aparecia e queijo, nem vê-lo!

Conclusão, vim-me embora quando estavam para começar o workshop. Desci até às Lajes e fui até à festinha dos miúdos. Chego lá e dou com uma mesa abandonada no pátio e uns balões pendurados com um ar já de fim de vida. Já amaldiçoava o queijo do Pico e o leite que nunca mais chegava, quando saiu a Neida, a mãe dos miúdos, de dentro de casa. Afinal estava tudo enfiado lá dentro, por causa do vento forte que se fazia sentir.

Assim que entrei na sala fui sentada à mesa e instruída a enfardar de tudo. Por isso foram umas horinhas bem passadas na conversa e a comer uns petisquinhos.

Era perto ou já passava das 23h quando me vim embora. Encetei a subida até à Ribeira do Meio, a uns meros 400 ou 500 metros das Lajes e onde se situa a minha nova morada. Quando passei pelo Forte de Sta. Catarina, a casa do Turismo e onde se deu o tal workshop, ouvi música e percebi que ainda estava a decorrer o concerto de flamenco programado para as 22h.

Claro que fui até lá. Ainda ia o concerto no princípio - manteve-se o cumprimento dos horários, portanto - e até foi engraçado. Os senhores ficaram um bocadinho frustrados por ninguém ii dançar as sevilhanas que eles foram tocando, mas tirando isso, correu bem. Tendo em conta as fracas tentativas para bater palmas ao compasso da música por parte de alguns membros do público (em que me incluo certamente), é capaz de ter sido melhor ninguém ter ido dançar.

Para a semana há um workshop com o Victor Sobral e o uso do queijo do Pico na gastronomia. Para esse já vou preparada para ficar à espera se for preciso! Depois dou conta dos petiscos confeccionados pelo senhor.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Contas em dia

Ora então!

Altura de pôr as fotografias em dia.

Vista da Horta, do Monte da Guia.




A única fotografia que consegui em que se consegue ver (e mal!) o "rabo" do cachalote:




Durante a volta à ilha do Faial, a inescapável vaca:




O vulcão dos Capelinhos:




Já no Pico, golfinhos-comuns:




As festas de S. João. A minha ex-rua (tenho que ir ver o acordo para ver se é assim que se escreve) decorada:





Esta foi a última fotografia focada. A seguir a máquina decidiu fazer greve e desfocou tudo. Às tantas foi da sangria...







No dia seguinte, a fogueira de S. João.




E a preparação dos botes para regata de botes baleeiros.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

salgada

Uma entrada muito rápida.

Nos últimos dias tem havido muito que relatar, mas pouco tempo na net para passar as experiências para a escrita. As novidades prendem-se mais com as festas cá da terra do que com o trabalho. Só voltei a ter saída hoje e levei tanta pancada - o vento estava forte!! - que estou cansada e não me apetece alongar muito.

O São Pedro foi bom e estive a ajudar com as festividades (tenho que ver se arranjo umas fotografias para pôr aqui) e, por essas e por outras, já não foram uma nem duas as pessoas que gozaram comigo que ainda agora cheguei e já conheço toda a gente.

Estou morta. Tenho que ir limpar o sal da roupa e jantar e ir até casa pôr roupa a lavar.

Amanhã há mais.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Fogueira de São João

Estou no "Ritinha", o meu poiso habitual para jantar, pois claro. Depois do meu bifinho de albacora, que estava muito bom (é verdade), ainda tive direito a oferta de uma malga de caldo de peixe, cortesia de um dos skippers da Acquaçores, que pediu para lhe prepararem o caldo com peixe que ele trouxe. Isto aqui é ambiente familiar e está por aqui o mesmo pessoal praticamente todos os dias. Já começo a conhecer as pessoas cá da terra e desde ontem ainda mais. Houve a celebração do São João na rua onde estou instalada, tudo organizado pelos vizinhos. Se quiserem ver um bocadinho de como estava o ambiente da festa, até podem aqui. Foi giro o arraial. Houve de comer e beber à farta. Comi caranguejo (bem bom, nunca tinha comido), moreia frita, favas guisadas e, claro está, uma sardinhita no pão (de milho, o típico cá da terra). Para regar tudo, sangria a jorros, literalmente, porque era abrir a torneira e lá jorrava a sangria para copo ou jarro.

Hoje é dia de S. João, já se sabe, e um dos vizinhos fez como habitualmente uma fogueira para os miúdos saltarem. Está a criançada aqui da rua toda divertidíssima a ver quem tem a melhor técnica para saltar a fogueira.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Mais um dia sem muito que fazer. Há pouco movimento de turistas e está-se ainda a dar conta de mil um pormenores de que falta tratar para funcionarmos a 100%

Ainda assim, o final de tarde foi interessante.

Amanhã é véspera de S. João e faz-se uma festa aqui na rua com direito a arquinhos e decorações e tudo. Saí mais cedo para ver se era precisa ajuda, porque a minha senhoria (a dona Antonieta) tinha falado nisso. Para hoje já não foi preciso, mas amanhã hei-de andar a pendurar bandeirolas por todo o lado. Com isto, conheci algumas pessoas da viznhança e acabei por ir até ao Espaço Talassa ver uma apresentação sobre grampos ou moleiros (Grampus griseus) com a Paula, que trabalha na antiga Fábrica da Baleia (onde esquartejavam e processavam os cachalotes). Hoje em dia funciona nas instalações da fábrica o Centro de Mar e Ciência.

Depois da apresentação a Paula convidou a mim e à Fatima (guia turística alemã, que está no Pico por algumas semanas) para jantarmos em casa dela. O menú consistiu em chouriço assado(?) com alho com batatas fritas e pão de milho (é bem bom o pão de milho cá da terra!), tudo regado com cerveja e um vinhito branco bem bom. O pai da Paula decidiu que eu estava com sede e estava sempre a encher-me o copo à sucapa. E não fui autorizada a ir-me embora sem acabar de beber o vinho todo antes!

domingo, 20 de junho de 2010

O tal vídeo



Golfinhos-comuns fora de Arrife.

sábado, 19 de junho de 2010

Golfinhos às resmas

Pois é, já foi a primeira saída por nossa conta aqui no Pico (minha e do Ruben, o skipper). Correu benzinha. Ainda há arestas a limar, mas sem problemas de maior. Além de me ter esquecido de recolher a defensas - estava a fazer o briefing pá! - não houve nada de especial a asinalar no cumprimento das minhas funções de marinheira. Pronto, quer dizer, tenho que treinar os meus nós, assim só uma bocadinho. Pocochinho. Pois...

Tivemos um bom encontro com cachalotes, 2 fêmeas adultas (presumo) e uma cria, primeiro, e golfinhos-comuns com fartura, depois. Dos golfinhos consegui um filme giro, que vou tentar pôr aqui ainda hoje.

Amanhã há mais.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Das Lajes do Pico

A vila é bem bonitinha e há botes baleeiros aqui também. Ando com ganas de ir num destes botes deste que os vi de velas desfraldadas na Horta.

Estou agora sentada no restaurante Ritinha, onde devo fazer a maior parte das minhas refeições enquanto aqui estiver. Tem uma espécie de alpendre com tecto de vigas de madeira e mesas compridas com bancos, onde grupos grandes podem vir reunir-se em prazenteiro repasto. Tem vista para a muralha de protecção do mar, o que é pena, mas pronto, atravessa-se a estrada e dá para ter vista melhor. Agora, enquanto o dia cai, já vi várias pessoas a passarem, uns mais em passeio, outros em passo de exercício. Com vista para o mar, não está mal. Tenho que me juntar a este circuito de manutenção enquanto cá estiver.

O meu alojamento foi a parte mais desencorajadora. Chegámos às Lajes já depois das nove da noite e acho que deixei as malas em casa da minha senhoria devia ser perto das dez. A primeira impressão, ao entrar na sala não foi muito auspiciosa, mas não quis tirar conclusões precipitadas. Quando vi a colcha que cobria a cama no quarto que me era destinado a rebrilhar pela porta aberta do quarto, só pensei, não pode ser! Imaginem uma cama de casal de espaldar alto coberta com uma colcha tipo edredão de tecido acetinado verde mar clarinho. Até reflectia a luz. Fiquei um bocado ofuscada, confesso. Tão ofuscada que só quando voltei cerca de uma hora mais tarde, depois de jantar, é que reparei que o meu quarto não tinha janelas. Quarto interior, a cheirar a mofo, fantástico. Junte-se a isso três roupeiros completamente atafulhados de roupa e a parte de baixo da cama atafulhada até ao limite com caixas cheias de tralha. Cheira-me que as minhas alergias vão ser o álibi perfeito e justificado para me pôr a milhas dali. Ah e mantêem-se os laivos religiosos. Tenho uma bíblia cheia de marcações aberta para uma leitura rápida numa mesinha do meu quarto. Ontem à noite, exausta de um dia looongo, não estava muito feliz.

A minha senhoria é uma senhora muito simpática e prestável, é certo, mas acho que não sou muito anti-social se disser que não achei piada nenhuma a acordar de manhã, abrir a porta do quarto para ir à casa de banho e ter a senhora sentada no sofá silenciosamente a fazer renda a chamar por mim "Rutinha! Quer um pãozinho para o pequeno-almoço? Vou lá acima a casa do meu filho pôr já a fazer!"

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Agora depois de jantar e de ter descoberto o "cinema" e ter posto uma série de coisas em dia já estou mais animada. Amanhã vou explorar o Lajes Shopping!

Impressões da Horta

No primeiro dia nas Lajes do Pico, posso dizer que já sinto saudades da Horta. Caiu-me no goto, acho que é uma boa expressão para aquilo que senti por aquela cidade em miniatura, porto de abrigo para muitos.

Gostei do verde profundo e brilhante que envolve a cidade, especialmente nos dias de chuva e humidade tão exasperantes que só um raio de sol poderia melhorar. Ou então o verde brilhante de toda a vegetação.

Gostei da cor da terra. Escura, negra às vezes. É uma sensação que não consigo explicar - o prazer que me dá olhar para aquela terra de uma cor tão escura.

Gostei do mar, pois claro. A próximidade constante do mar, o ambiente de marina e de viagem iminente que paira no ar.

Para os açoreanos... Não, é melhor precisar. Para os Picoenses, os Failenses são uns snobes e nada do que vem do Faial é bom. Para retribuir os Failenses pensam que o Pico não tem nada (é um deserto, como diria o Mário Lino). Já eu não concordo. São afáveis, são sim, os Hortenses. Ou se calhar a afabilidade era toda dos Picoenses que vivem no Faial - parece que são muitos. Para quem tem bairrismop tão exacerbado, não deixa de ser irónico. Enfim, independentemente das suas origens, senti-me benvinda na Horta.
Bem, tive poucas oportunidades de aceder ao blog, por isso vem aí uma catadupa de publicações.

Pontos que mais se destacaram: vi BALEIAS-COMUNS!!!! hehehe Já estava mais do que convencida de que não ia conseguir ver nenhumas durante a minha estadia aqui nos Açores, porque a Primavera está quase no fim e vou embora antes de começar o Outono. Mas as lindinhas das baleias-comuns são mais retardatárias por isso consegui ver não uma, mas duas! São animais de uma escala completamente diferente. Cada respiração que faziam à superfície era emocionante.

De volta a terra, no fim-de-semana passado foi a Feira do Mundo Rural. Não consegui boleia a tempo de ir jantar uma bifana de albacora (diz que é muito bom), mas fui a tempo sim de ver os Bandarra no Faial pela segunda vez nas menos de duas semanas em que ali estive. Lançaram o primeiro cd agora, mas não sei se já terá chegado ao continente. Gostei deste concerto ainda mais do que o primeiro, que tinha sido na União Filarmónica, na Horta. Desta vez o som estava melhor, houve mais pulos e dança e até um momento de bailarico improvisado ali mesmo que foi muito fixe. Para além dos Bandarra, houve o músico pimba da praxe, havia muitos bois, vacas e bezerros, bem como cavalos, éguas e potros.

No dia seguinte foi o aniversário de um dos skippers do José Azevedo e fomos até casa dele jantar. Um jantar de família no jardim de casa dele em Pedro Miguel. Sítio previligiado, diga-se. Vista para o Pico enquanto se punha a noite, churrasquinho acabado de fazer, carninha tenrinha que nem manteiga. Uma aguardentezinha de mel para encerrar as hostilidades. Foi bom, foi.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Algumas fotografias dos Açores :)

A vista do meu quarto no dia de chegada:




O sopé do monte da Guia no meu primeiro dia na Horta (enquanto quase não chovia):




O fim da procissão do Corpo de Deus em Velas, São Jorge:




Praça do coreto em Velas, S. Jorge:




O Pico:




Eu e o Pico:




Golfinho-roaz refractado:

sábado, 5 de junho de 2010

Baleias à vista!!!!!!!!!!!!!!!!

Hehehe!

Agora sim! De manhã, de pois de muitas voltas, lá demos com um grupo grande de golfinhos roazes. À tarde tivemos cachalotes durante uma data de tempo (a certa altura deviam andar nas proximidades uns 5 ou 6 animais) e depois no regresso mais golfinhos roazes. Com a minha pobre maquinita não consegui apanhar grande coisa dos mamíferos, especialmente dos cachalotes. Desses não apanhei mesmo nada, porque a bateria morreu. Tenho, isso sim, fotografias de caravelas portuguesas, que esta manhã eram às centenas (provavelmente milhares, mas a minha vista não abarca tudo)a flutuar mar afora.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Baleia à vista!... mas pouco.

Pois então, novidades. Ainda estou pela Horta, à espera que o barco em que vou trabalhar fique operacional. Também ainda não conseguimos sair para ir ver baleias, nem sequer golfinhos. A bicharada anda toda fugidia. Para o mar já fui - menos mal - anteontem, porque havia um grupo que queria ir fazer um passeio mesmo que não vissem nada, e ontem, para fazer um serviço de táxi. Lado positivo? Já vi pelo menos um bocadinho de S. Jorge e da vila de Velas. Depois de largarmos os passageiros deu para dar uma voltinha na vila e tirar umas fotografias.

Como ontem era o dia Corpo de Deus era dia de festa cá pela terra. Em S. Jorge vimos a procissão das criancinhas todas que fizeram a primeira-comunhão - très tipique. A propósito ainda deu para uma pequena discussão acerca da minha fé (ou falta dela) com um dos skippers, que pelos vistos foi seminarista. Uma personagem!

Quando os turistas acabaram a sua voltinha por S. Jorge, pegámos neles e levámo-los para o Pico. Depois de algum tempo de espera para conseguir atracar - quando há cargueiros em manobras, não chegar perto! - lá largámos os passageiros e regressámos à Horta. À nossa chegada já tínhamos jantar à espera. O Norberto tinha tido uma saída de pesca e convidou-nos a partilhar dos resultados. Estava bom o peixinho!

Com isto tudo já eram 23h quando me vim embora para casa e quando estava mesmo quase a chegar, comecei a ouvir música, tipo bailarico, mas com uma banda a sério a tocar. Então fui espreitar e lá estava ela, uma banda filarmónica, toda a preceito a tocar para uma vintena de gatos-pingados. Tocavam bem e ainda fiquei ali um bocadinho a ouvi-los. Há um vídeo. Quando tiver hipótese ponho aqui.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Nada de especial a assinalar. Tenho umas fotografias para pôr, mas ontem não consegui aceder à net. Logo à noite espero que dê.

Inté :)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Horta - Faial (via Pico)

Ora bem, aqui vai o relato do 1º. dia (dia de viagem) até agora: chegada ao aeroporto - voo com atrasado previsto de meia hora; atraso real cerca de 1 hora.

Aproximação da Horta - circulamos o aeroporto quase 1 hora; 1 tentativa falhada de aterragem; 1 comunicação do piloto - não consigo ver a pista por causa do nevoeiro, vamos tentar aterrar no Pico, onde tb não é certo se dará, senão seguimos para a Terceira.

Aterragem no Pico - chuva miudinha. Recolha de bagagens. Espera (não muito longa! yay!) pelos autocarros para nos levarem ao porto. Espera (longa - 1 hora e picos?) pelo barco ("Cruzeiro do Canal"). Chuva a potes. Corrida da sala de espera com malas atrás para embarcar. Mau tempo no canal. Um ligeiro enjoo.

Aterragem na Horta - chove a potes, malas a serem descarregadas para o meio do cais. A minha mala grande lá está solitária a apanhar chuva. A minha mala pequena nem vê-la. Só uma sósia etiquetada (felizmente!) de forma bastante visível (como puderam confundir as malas?!). Telemóvel da etiqueta desligado. Chove a potes (já tinha dito?).

Apanho taxi para fugir da chuva e peço para ir para o Peter's--- fica a 200 m dali, 300 no máximo. Sr, taxista não está contente, mas é simpático apesar de tudo. Dou boa gorjeta. Já disse que chovia a potes? Só para ter a certeza. Deixo malas no Peter's e vou fazer "check-in" com responsável, no escritório. Tudo tratado por agora, volto para Peter's para comer e voltar a ligar para trocadora de mala. Desligado. Vem a sopa. Onde está a mala do computador? Tu queres ver que ficou no táxi???
Tenho fome, a terra é pequenina e com o tempo como está ninguém vai a lado nenhum. Vou acabar de comer e depois entro em pânico.

Check-in com Mãe. Assim que desligo o telefone, tenho à minha frente o senhor do táxi com o meu computador. Abençoado! Passados uns minutos ligam-me por causa da mala. Mala recuperada. Acabo de comer a tosta. Já está pronto o meu alojamento. Chove a potes. Boleia até ao meu casa/quartinho para os próximos 4 ou 5 dias.

Mudança da roupa molhada (ensopada?) e estendida na cama ao computador. Daqui a bocado há que pensar em ir jantar.