domingo, 25 de julho de 2010

Azul ao longe

O mar está calmo. Chão. Um consolo. No céu há umas poucas nuvens desgarradas. Sopra uma brizinha que alivia o calor do sol.

O mar não está longe, fica a uns meros 50 m daqui, mas a sensação que tenho é que aquele horizonte tangível até podia estar a milhas de distância, tal é a impossibilidade de lhe chegar. Claro que estou a ser dramática e até poderei estar a exagerar, mas é a sensação que tenho hoje, aqui sentada à porta da loja. Acabou por ser bom só ter internet de jeito na rua, é da forma que posso ver a luz do dia e o mar e as poucas pessoas que passam na rua. Enfim, ver algum movimento.

Estou-me a rir sozinha agora. Vi duas senhoras a passarem de bicicleta em frente à loja. A rua é calcetada, por isso todas elas tremelicavam enquanto pedalavam neste pedaço de estrada. Veio-me logo à cabeça a banda sonora apropriada - fat bottomed girls you make the rockinn' world go round.

Passam alguns vizinhos afáveis, alguns turistas pouco interessados e ainda menos gastadores e assim se passa uma manhã de domingo. Tenho que começar a praticar alguma forma de meditação para ver se consigo esquecer-me de vez das terrenas turras e birras que andam no ar. Este é um comentário pouco apropriado para pôr aqui, já se sabe, mas tem que se dar algum escape a pressão acumulada, seja ela de que natureza for. Senão pode rebentar a panela.

Desconversando, já vi mais algumas espécies novas (para mim, pelo menos). Golfinhos-pintados - são mesmo giros o raio dos bichos, brincalhões que se fartam - e baleias-bico-de-garrafa - que são o oposto, normalmente, tímidas e fugidias. Também tivemos um avistamento de baleias-piloto muito bom no outro dia.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ponto da situação

Sim, eu sei, tenho andado desaparecida. Nem tem sido por excesso de trabalho, mas sim por preguiça. Parece que agora as coisas estão a animar aqui pelas Lajes. Já estamos a começar a ter saídas e vê-se mais turistas a passar nas ruas.

Dito isto, acho que está numa boa altura para fazer um ponto da situação.

O positivo.

As baleias-comuns, ter saídas em que se vê alguma coisa com certeza; ir para o mar chão com um vento ligeiro e o sol a brilhar, sentada na proa do barco, simplesmente a gozar o passeio. Gente simpática e interessada a querer saber mais e a partilhar experiências. A paisagem linda das ilhas. As casinhas bonitas das Lajes. O movimento da Horta. Aquela marina com ambiente cosmopolita e caseiro e acolhedor, tudo ao mesmo tempo. A Horta, onde gente de todo o lado faz a sua casa e acolhe quem vem de fora. A gente das Lajes, também muito acolhedora - os de cá, porque os de fora e que cá moram, nem tanto. O canto dos cagarros (estranhamente). Ir ao mar quando me apetece, porque está a dois passos de casa. Não haver areia. Ter tempo para ler e para aprender mais sobre os cetáceos. Confirmar que gosto mesmo de fazer isto.

O negativo

Os melindres e os ciúmes e os amuos em que praticamente toda a gente cai por aqui. A gabarolice. Haver crise e não haver clientes. Não ter internet de jeito. Não ter cinema ou rede de transportes públicos mais alargada. Não ter folgas para poder ir para a festa.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Estou-me a sentir perversa. Mas também, é preferível rir que ficar amuada.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Queijo, bolo e flamenco

Domingo, 4 de Julho. Mais um domingo, mais um dia sem saídas e pouco que fazer. Para compensar tive um final de dia ocupado. Começando às 18h, a seguir ao trabalho, um workshop sobre como fazer queijo do Pico. Ah, pois é. Queijo. Do Pico. Uma pessoa agarra-se à vida cultural a que consegue deitar as unhas.

Tudo muito bonito e tal, só que ainda não foi desta que aprendi a fazer queijo (do Pico). Cheguei lá antes das 18h, pronta para pôr mãos à obra, mas a organização ainda estava a ultimar uns pormenores. Tudo bem, pensei eu, tenho até às 19h antes de ir para a festa de anos dos gémeos (filhos de uma vizinha da ex-rua, que me tinha convidado), mesmo que não assista a tudo, vejo parte.

Esperei.

Esperei mais um bocado, eu e todos os outros que lá estavam. Alguns deles eram turistas alemães, que, previsivelmente, gozaram que se fartaram com a pontualidade portuguesa. Bem vistas as coisas, os senhores da queijaria até foram pontuais. Eles e o leite chegaram exactamente com uma hora de atraso. Não sei se as vacas fizeram greve, ou o que se passou, mas o certo é que o leite nunca mais aparecia e queijo, nem vê-lo!

Conclusão, vim-me embora quando estavam para começar o workshop. Desci até às Lajes e fui até à festinha dos miúdos. Chego lá e dou com uma mesa abandonada no pátio e uns balões pendurados com um ar já de fim de vida. Já amaldiçoava o queijo do Pico e o leite que nunca mais chegava, quando saiu a Neida, a mãe dos miúdos, de dentro de casa. Afinal estava tudo enfiado lá dentro, por causa do vento forte que se fazia sentir.

Assim que entrei na sala fui sentada à mesa e instruída a enfardar de tudo. Por isso foram umas horinhas bem passadas na conversa e a comer uns petisquinhos.

Era perto ou já passava das 23h quando me vim embora. Encetei a subida até à Ribeira do Meio, a uns meros 400 ou 500 metros das Lajes e onde se situa a minha nova morada. Quando passei pelo Forte de Sta. Catarina, a casa do Turismo e onde se deu o tal workshop, ouvi música e percebi que ainda estava a decorrer o concerto de flamenco programado para as 22h.

Claro que fui até lá. Ainda ia o concerto no princípio - manteve-se o cumprimento dos horários, portanto - e até foi engraçado. Os senhores ficaram um bocadinho frustrados por ninguém ii dançar as sevilhanas que eles foram tocando, mas tirando isso, correu bem. Tendo em conta as fracas tentativas para bater palmas ao compasso da música por parte de alguns membros do público (em que me incluo certamente), é capaz de ter sido melhor ninguém ter ido dançar.

Para a semana há um workshop com o Victor Sobral e o uso do queijo do Pico na gastronomia. Para esse já vou preparada para ficar à espera se for preciso! Depois dou conta dos petiscos confeccionados pelo senhor.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Contas em dia

Ora então!

Altura de pôr as fotografias em dia.

Vista da Horta, do Monte da Guia.




A única fotografia que consegui em que se consegue ver (e mal!) o "rabo" do cachalote:




Durante a volta à ilha do Faial, a inescapável vaca:




O vulcão dos Capelinhos:




Já no Pico, golfinhos-comuns:




As festas de S. João. A minha ex-rua (tenho que ir ver o acordo para ver se é assim que se escreve) decorada:





Esta foi a última fotografia focada. A seguir a máquina decidiu fazer greve e desfocou tudo. Às tantas foi da sangria...







No dia seguinte, a fogueira de S. João.




E a preparação dos botes para regata de botes baleeiros.