quarta-feira, 16 de junho de 2010

Das Lajes do Pico

A vila é bem bonitinha e há botes baleeiros aqui também. Ando com ganas de ir num destes botes deste que os vi de velas desfraldadas na Horta.

Estou agora sentada no restaurante Ritinha, onde devo fazer a maior parte das minhas refeições enquanto aqui estiver. Tem uma espécie de alpendre com tecto de vigas de madeira e mesas compridas com bancos, onde grupos grandes podem vir reunir-se em prazenteiro repasto. Tem vista para a muralha de protecção do mar, o que é pena, mas pronto, atravessa-se a estrada e dá para ter vista melhor. Agora, enquanto o dia cai, já vi várias pessoas a passarem, uns mais em passeio, outros em passo de exercício. Com vista para o mar, não está mal. Tenho que me juntar a este circuito de manutenção enquanto cá estiver.

O meu alojamento foi a parte mais desencorajadora. Chegámos às Lajes já depois das nove da noite e acho que deixei as malas em casa da minha senhoria devia ser perto das dez. A primeira impressão, ao entrar na sala não foi muito auspiciosa, mas não quis tirar conclusões precipitadas. Quando vi a colcha que cobria a cama no quarto que me era destinado a rebrilhar pela porta aberta do quarto, só pensei, não pode ser! Imaginem uma cama de casal de espaldar alto coberta com uma colcha tipo edredão de tecido acetinado verde mar clarinho. Até reflectia a luz. Fiquei um bocado ofuscada, confesso. Tão ofuscada que só quando voltei cerca de uma hora mais tarde, depois de jantar, é que reparei que o meu quarto não tinha janelas. Quarto interior, a cheirar a mofo, fantástico. Junte-se a isso três roupeiros completamente atafulhados de roupa e a parte de baixo da cama atafulhada até ao limite com caixas cheias de tralha. Cheira-me que as minhas alergias vão ser o álibi perfeito e justificado para me pôr a milhas dali. Ah e mantêem-se os laivos religiosos. Tenho uma bíblia cheia de marcações aberta para uma leitura rápida numa mesinha do meu quarto. Ontem à noite, exausta de um dia looongo, não estava muito feliz.

A minha senhoria é uma senhora muito simpática e prestável, é certo, mas acho que não sou muito anti-social se disser que não achei piada nenhuma a acordar de manhã, abrir a porta do quarto para ir à casa de banho e ter a senhora sentada no sofá silenciosamente a fazer renda a chamar por mim "Rutinha! Quer um pãozinho para o pequeno-almoço? Vou lá acima a casa do meu filho pôr já a fazer!"

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Agora depois de jantar e de ter descoberto o "cinema" e ter posto uma série de coisas em dia já estou mais animada. Amanhã vou explorar o Lajes Shopping!

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