domingo, 29 de agosto de 2010
Pézinho do Pico
Pézinho do pico
Letra e música: popular: Açores
Eu fui ao Pico, piquei-me,
Ai sim piquei-me, piquei-me lá num silvado. [Bis]
Nunca mais eu vou ao Pico,
Ai sem o Pico, sem o Pico ser podado. [Bis]
Eu fui ao Pico, piquei-me,
Ai sim piquei-me, piquei-me lá num picão.
O pico nasce da silva,
Nasce da silva e a silva nasce do chão.
Ó meu amor nada, nada,
Ó meu amor nada, nada, nada não.
Nada trago em meu peito,
Ai em meu peito, de que te faça quinhão.
Ponha aqui o seu pézinho,
Ai ponha aqui, ponha aqui, que não faz mal.
Que esta moda do pézinho,
Ai foi do Pico, foi do Pico pr´ó Faial.
Fernando Faria ((Pico))
sábado, 21 de agosto de 2010
Almoço debaixo da parreira e jantar no bosque de criptomérias
Ontem ia almoçar ao Ritinha como habitualmente. Como estava um sol abrasador, em vez de ir até lá pela rua marginal, como de costume, decidi ir por uma rua de dentro, mais sombria, e que é a rua principal das Lajes. É onde está a maior parte do comércio e serviços da vila. Dessa artéria(!) principal, para chegar ao Ritinha tenho que cortar por uma outra rua, que por acaso é onde vivi inicialmente quando vim para as Lajes. Ou seja, conheço mais ou menos as pessoas ali vivem. Então, quando ia a passar pela horta/terraço/sala de estar exterior do Sr. José e da Srª. Maria (os senhores que organizam a festa do São João), chamaram-me e perguntaram-me onde é que eu ia "com tanta pressa". Quando eu disse que ia almoçar, oh! fui logo desviada do meu caminho. "Vem mas é pr'áqui e junta-te à gente!". E pronto, acabei por almoçar uma saladinha de peixe impecável, acompanhada com o óptimo pão de milho cá da terra, e regada com vinho verde, primeiro, e sangria depois (e que sangria!). E que bem que se estava no fresquinho, na sombra da parreira carregadinha de uvas. Para finalizar, um digestivo, de denominação desconhecida - o Sr. José é muito cioso dos seus segredos - mas penso que era um licor de amora.
Nesse almoço inopinado estava também um casalinho jovem. Ele, cá do Pico e a servir de cicerone, a ela, uma jovem fotógrafa espanhola, à procura de ir ver baleias e golfinhos em troca dos serviços fotográficos; e pronto, lá se deu azo para o estabelecimento do chamado networking. Trouxe o currículo da rapariga para entregar ao patrão e pronto.
À tarde, já de volta à loja, chega o gerente da operação de whale watching aqui no Pico (e dono da loja,) com alguns anéis que tinha feito em dente de cachalote para pôr à venda. Mas antes de irem para a montra tive direito a escolher um para mim. Prenda de amenização? Talvez. Recusar estava fora de questão, portanto.
As surpresas do dia ainda não tinham acabado, porque em cima das 18h (hora de fecho da loja) pára o Lídio, skipper, mecânico e pau-para-toda-a-obra da AquaAçores (a concorrência, portanto) à frente da loja a perguntar porque é que eu não estava no Bodo de Leite. Ora, o Bodo de Leite, pelo que consegui apurar, é uma reunião para a qual os produtores de leite levam as suas vacas leiteiras e respectivos bezerros. É feita a ordenha das vacas, toda a gente bebe leite e partilha de um bolo que se faz especialmente para a ocasião. Há uma missa, provavelmente para abençoar a vacaria toda, e há também um concurso de animais. Portanto, mais uma desculpa para as pessoas se reunirem e conviverem. Depois do lado mais pecuário estar terminado, as famílias continuam por ali durante a tarde e noite e vai-se juntando cada vez mais gente. Cada grupo traz o seu farnel - e que farnéis! - e à boa moda portuguesa monta-se o estaminé completo, com fogão, mesas, cadeiras de praia, bancos improvisados com troncos cortados e almofadas, mantas no chão, enfim, todos os confortos.
Conclusão, acabei por arrumar as minhas coisas à pressa na loja, agarrei só na carteira a tiracolo e, ala!, para o Bodo de Leite. Se já estava a adivinhar que devia ser uma festa muito engraçada e com pena de não ir, não me enganei. Foi das festas mais giras em que estive aqui, a par do São João da minha antiga rua. Ambas respiravam um ar de espontaneadade que lhes dá uma graça especial. O Bodo de Leite em particular ainda preserva o cariz altamente rural e ainda guarda um saborzinho do antigamente. A festa é feita no meio de um bosque de criptomérias muito verde e fresco. Ontem estava-se maravilhosamente bem por lá, depois do calor das Lajes. No pequeno palco montado junto ao caminho, estavam a tocar chamarritas quando cheguei. A chamarrita é a música, e a dança, tradicional do Pico. E havia quem dançasse, mas não era nunhum grupo organizado de folclore. Não, era um bailarico e dançavam-se chamrritas. Foi muito giro de ver. Partilhei da comida e bebida de uma família amiga do Lídio, encontrei-me com gente conhecida das Lajes. Vi um espectáculo de hipnotismo feito por um talento local, que conseguiu pôr homens crescidos a fazer figuras tristes, para diversão de quem via. Para encerrar a festa em grande, Quinzinho de Portugal. Em grande!
Foi um daqueles dias em que fiquei a pensar, está bem, isto é o karma a pôr as contas em dia.
Nesse almoço inopinado estava também um casalinho jovem. Ele, cá do Pico e a servir de cicerone, a ela, uma jovem fotógrafa espanhola, à procura de ir ver baleias e golfinhos em troca dos serviços fotográficos; e pronto, lá se deu azo para o estabelecimento do chamado networking. Trouxe o currículo da rapariga para entregar ao patrão e pronto.
À tarde, já de volta à loja, chega o gerente da operação de whale watching aqui no Pico (e dono da loja,) com alguns anéis que tinha feito em dente de cachalote para pôr à venda. Mas antes de irem para a montra tive direito a escolher um para mim. Prenda de amenização? Talvez. Recusar estava fora de questão, portanto.
As surpresas do dia ainda não tinham acabado, porque em cima das 18h (hora de fecho da loja) pára o Lídio, skipper, mecânico e pau-para-toda-a-obra da AquaAçores (a concorrência, portanto) à frente da loja a perguntar porque é que eu não estava no Bodo de Leite. Ora, o Bodo de Leite, pelo que consegui apurar, é uma reunião para a qual os produtores de leite levam as suas vacas leiteiras e respectivos bezerros. É feita a ordenha das vacas, toda a gente bebe leite e partilha de um bolo que se faz especialmente para a ocasião. Há uma missa, provavelmente para abençoar a vacaria toda, e há também um concurso de animais. Portanto, mais uma desculpa para as pessoas se reunirem e conviverem. Depois do lado mais pecuário estar terminado, as famílias continuam por ali durante a tarde e noite e vai-se juntando cada vez mais gente. Cada grupo traz o seu farnel - e que farnéis! - e à boa moda portuguesa monta-se o estaminé completo, com fogão, mesas, cadeiras de praia, bancos improvisados com troncos cortados e almofadas, mantas no chão, enfim, todos os confortos.
Conclusão, acabei por arrumar as minhas coisas à pressa na loja, agarrei só na carteira a tiracolo e, ala!, para o Bodo de Leite. Se já estava a adivinhar que devia ser uma festa muito engraçada e com pena de não ir, não me enganei. Foi das festas mais giras em que estive aqui, a par do São João da minha antiga rua. Ambas respiravam um ar de espontaneadade que lhes dá uma graça especial. O Bodo de Leite em particular ainda preserva o cariz altamente rural e ainda guarda um saborzinho do antigamente. A festa é feita no meio de um bosque de criptomérias muito verde e fresco. Ontem estava-se maravilhosamente bem por lá, depois do calor das Lajes. No pequeno palco montado junto ao caminho, estavam a tocar chamarritas quando cheguei. A chamarrita é a música, e a dança, tradicional do Pico. E havia quem dançasse, mas não era nunhum grupo organizado de folclore. Não, era um bailarico e dançavam-se chamrritas. Foi muito giro de ver. Partilhei da comida e bebida de uma família amiga do Lídio, encontrei-me com gente conhecida das Lajes. Vi um espectáculo de hipnotismo feito por um talento local, que conseguiu pôr homens crescidos a fazer figuras tristes, para diversão de quem via. Para encerrar a festa em grande, Quinzinho de Portugal. Em grande!
Foi um daqueles dias em que fiquei a pensar, está bem, isto é o karma a pôr as contas em dia.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Há dias assim
Sim parece que voltei para mais umas publicações.
O dia-a-dia tem sido pouco conducente a revelações entusiasmantes. Para ventilar estados de alma menos positivos talvez este fosse o meio ideal, mas arriscava-me a que toda a gente ficasse com a impressão que a experiência está a ser má ou que estou num estado de tristeza de gravidade ainda por determinar. Ora, como isso não corresponde à verdade, tenho preferido manter-me metaforicamente calada.
Dito isto, os dias por cá têm sido de altos e baixos. Há momentos giros e divertidos de convivência com as gentes cá da terra. Geralmente à hora de almoço, no Ritinha, quando tudo se reúne para almoço. É a altura em que ouço as histórias do tempo da baleação, das fortes pescarias, de quem tem as melhores vacas e como é que se cultiva melhor a batata ou o milho e, claro (talvez inevitavelmente porque estamos em terra de pescadores?), as bazófias inchadas e discussões acerca de quem viu mais animais no mar, ou das noitadas de bebida, conquistas e porrada.
Também há horas mortas. Muito mortas. De atrofio. Com o rádio a tocar Tony Braxton a cantar "Unbrake my heart", como neste momento - de bater com a cabeça nas paredes, portanto. Ainda por cima está a chover. Cum catano! O barco está avariado - sim, eu sei, esta história parece familiar... Tenho que ir à bruxa, para ver se tenho algum chacra desalinhado ou qualquer coisa do género...
A festas não tenho ido ultimamente. Os meus pais estão por cá, por isso tenho andado mais caseira. Mas hei-de me vingar na Semana dos Baleeiros, que é aqui nas Lajes. Ai se me vingo!
O dia-a-dia tem sido pouco conducente a revelações entusiasmantes. Para ventilar estados de alma menos positivos talvez este fosse o meio ideal, mas arriscava-me a que toda a gente ficasse com a impressão que a experiência está a ser má ou que estou num estado de tristeza de gravidade ainda por determinar. Ora, como isso não corresponde à verdade, tenho preferido manter-me metaforicamente calada.
Dito isto, os dias por cá têm sido de altos e baixos. Há momentos giros e divertidos de convivência com as gentes cá da terra. Geralmente à hora de almoço, no Ritinha, quando tudo se reúne para almoço. É a altura em que ouço as histórias do tempo da baleação, das fortes pescarias, de quem tem as melhores vacas e como é que se cultiva melhor a batata ou o milho e, claro (talvez inevitavelmente porque estamos em terra de pescadores?), as bazófias inchadas e discussões acerca de quem viu mais animais no mar, ou das noitadas de bebida, conquistas e porrada.
Também há horas mortas. Muito mortas. De atrofio. Com o rádio a tocar Tony Braxton a cantar "Unbrake my heart", como neste momento - de bater com a cabeça nas paredes, portanto. Ainda por cima está a chover. Cum catano! O barco está avariado - sim, eu sei, esta história parece familiar... Tenho que ir à bruxa, para ver se tenho algum chacra desalinhado ou qualquer coisa do género...
A festas não tenho ido ultimamente. Os meus pais estão por cá, por isso tenho andado mais caseira. Mas hei-de me vingar na Semana dos Baleeiros, que é aqui nas Lajes. Ai se me vingo!
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Portugal no seu melhor
Digam lá se não é um momento bonito e profundo: a rádio transmite esse monumento, essa obra-prima, da música pimba que é Apitadelas (percebem o "trocadalho", hã, hã?) e vai a música a meio, quando se ouve a voz dos locutores - "E agora o pensamento do dia", diz ele. Responde ela "Deixo-vos com o pensamento do dia para hoje: 'Albarda-se o burro à vontade do dono.'" E segue a música,"elas dão apitadelas, apitadelas, apitadelas".
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